Kylie Jenner fez sua estreia no Victoria’s Secret Fashion Show ao desfilar com o icônico “Fantasy Bra” neste domingo (18), no Sony Pictures Studios, em Culver City, Califórnia. A peça, tradicionalmente vestida por uma “Angel” da marca, foi apresentada ao público como parte da estratégia de renovação do espetáculo. O diretor criativo da empresa, Adam Selman, explicou à revista Vogue que a escolha de Jenner se deve ao seu status de “potência cultural”.
O “Fantasy Bra” tornou‑se, ao longo dos últimos desfiles, um dos maiores destaques da Victoria’s Secret, sendo considerado uma honra e um marco para a modelo que o usa. Enquanto parte do público celebrou a presença da influenciadora, outros críticos apontaram a ausência de uma veterana da casa.
Uma internauta escreveu no Instagram que o desfile “passou de um glamour icônico para um circo de influenciadores” e afirmou que, “a influência nas redes sociais e uma inclusão performática substituíram o verdadeiro talento para a moda, a elegância e a presença na passarela”. No X (antigo Twitter), uma brasileira lembrou o tempo que Alessandra Ambrósio (onze anos) e Adriana Lima (nove anos) levaram para usar a peça, concluindo: “A Kylie que nunca pisou em uma passarela debutou com um hoje”.
Em entrevista à Vogue, Adam Selman declarou que Kylie “transcende a moda, a cultura, a televisão; ela vai muito além de uma única esfera. É exatamente a mesma coisa que nós fazemos. O desfile é grandioso, é entretenimento puro, e eu acredito que ela funciona como um grande catalisador para isso”. “Ela criou, de fato, a própria cultura. Quantas pessoas podem dizer isso? Acho que é uma combinação interessante que estamos oferecendo aos fãs: entregamos o que eles desejam com este incrível ‘Fantasy Bra’, e o colocamos em um talento inesperado, que possui uma legião imensa de seguidores e um impacto cultural gigantesco. Eu acho divertido. E é algo muito alegre, e é bacana celebrar de uma maneira diferente, que as pessoas não esperariam”, acrescentou.
Na segunda‑feira (19), o especialista em redes sociais e marketing Joel Marlinarson afirmou à BBC Newsbeat que a escolha por Kylie foi “muito bem planejada” e gerou “muita conversa” sobre o futuro da moda e das redes sociais. “É claro que Kylie representa uma nova era de celebridades, em que as marcas priorizam quem atrairá mais olhares, em vez de quem se encaixa no padrão tradicional de modelo”, pontuou. Marlinarson ressaltou que o público mais jovem tem forte conexão com Jenner, que cresceu acompanhando‑a na web e em seu reality show ao lado das irmãs Kardashian, embora parte da audiência que vivenciou a “era icônica de Naomi Campbell” possa ver a decisão como “traição aos valores”.
A modelo britânica Summer Nesbeth, de 25 anos, também comentou à BBC que a escolha da Victoria’s Secret foi uma tentativa de manter a marca conectada ao público jovem. “Ela é uma influenciadora com muita força, e vivemos na era das redes sociais”, afirmou. Nesbeth ainda criticou a ênfase no “Fantasy Bra”, observando que “tem gente que não tem o que comer, gente que não tem condições de pagar a conta de luz” e que “há muito a se discutir sobre onde estamos concentrando nossa atenção e onde estamos investindo nosso dinheiro”.
Estima‑se que o cobiçado sutiã desta edição esteja avaliado em 50 milhões de dólares, aproximadamente R$ 253 milhões, tornando‑se a versão mais cara já produzida. Segundo a revista, a peça contém 4 410 diamantes, entre eles um diamante central amarelo de 75,54 quilates, avaliado em 22 milhões de dólares (R$ 111 milhões). Criado em parceria com a joalheria de luxo Jacob & Co., o item exigiu mais de mil horas de trabalho de 15 artesãos e pesa pouco menos de 1,8 kg.
O desfile da Victoria’s Secret foi cancelado após a edição de 2018 registrar baixa audiência e enfrentar críticas por ser considerado sexista, ultrapassado e carente de diversidade. A produção retornou em 2024 com a promessa de “celebrar todas as mulheres”, apresentando um elenco mais diverso e buscando reconquistar o público que antes se sentia excluído.

