Kassio e Mendonça se afastam de Flávio Bolsonaro após carta golpista

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Kassio Nunes Marques e André Mendonça em sessão do TSE

Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e André Mendonça, vice‑presidente da corte, passaram a se desvincular do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) depois que o parlamentar divulgou, nesta quarta‑feira (28), uma carta considerada golpista, conforme apurou a Folha de S.Paulo. Em conversas com auxiliares, os dois ministros concluíram que Flávio havia perdido o bom senso ao publicar o documento.

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O senador, derrotado nas eleições de 2026, inicialmente se autoproclamou “verdadeiro presidente do Brasil”. Sob pressão do governo de Donald Trump, alterou a expressão para “líder do Brasil”, mas manteve ataques ao processo eleitoral e alegações sem provas sobre a vitória do presidente Lula (PT). Na noite da divulgação, Kassio Nunes Marques emitiu nota em defesa da Justiça Eleitoral, afirmando que o tribunal mantém compromisso “com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”. O presidente do TSE ressaltou que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais” e que a Justiça Eleitoral entregou o pleito com segurança.

Na sessão plenária desta quinta‑feira (29), a primeira desde a publicação da carta, os ministros não abordaram o caso publicamente, concentrando‑se no julgamento dos processos previstos. Outros integrantes do TSE classificaram o texto como um movimento absurdo, marcado por teor conspiratório e pela difusão de alegações falsas. Um ministro do Supremo Tribunal Federal ironizou o brasão usado na carta, que trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, argumentando que o erro impede que o documento seja levado a sério e evidencia a falta de preparo de Flávio para governar.

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Kassio pretende conversar com o presidente do STF, Edson Fachin, para alinhar a resposta institucional aos questionamentos sobre a validade das eleições, com o objetivo de impedir que avancem ações destinadas a contestar o resultado de 2026. O senador também enfrenta afastamento entre aliados após deixar o país rumo aos Estados Unidos. O senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha presidencial, declarou que ele e o partido não podem afirmar que houve fraude, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito ao resultado das urnas. A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que atuou nas ações eleitorais do senador, comunicou interlocutores que não apresentará novos processos em nome de Flávio Bolsonaro.

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