Jurado do BAFTA renuncia após incidente racista e críticas à BBC

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Créditos: Imagem/Divulgação

Um incidente de natureza racista durante a cerimônia do British Academy Film Awards (BAFTA) levou à renúncia do produtor independente Jonte Richardson, membro do júri de talentos emergentes. A decisão de Richardson foi tomada em protesto contra a maneira como a organização do BAFTA e a British Broadcasting Corporation (BBC) lidaram com o ocorrido, gerando uma crise institucional.

Em manifestações divulgadas nas redes sociais, Jonte Richardson classificou a gestão do caso como “totalmente imperdoável”. Ele argumentou que a instituição falhou em proteger a dignidade de convidados e membros negros, além de acusar o BAFTA de manter um histórico de “racismo sistêmico”. O episódio central envolveu o ativista John Davidson, conhecido por inspirar o documentário “I Swear” e diagnosticado com Síndrome de Tourette.

Durante a premiação, John Davidson proferiu uma ofensa racista. A Síndrome de Tourette, diagnosticada nele aos 25 anos, manifesta-se por tiques vocais e explosões involuntárias que, frequentemente, incluem palavrões. A revista “Variety” relatou que diversos tiques foram ouvidos ao longo da cerimônia, como um “cala a boca” durante o discurso de abertura da presidente do BAFTA, Sara Putt, e um “vão se foder” quando os diretores do filme “Boong” subiam ao palco. Em um momento crucial, o público presente ouviu Davidson proferir um termo racista enquanto os atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo apresentavam o prêmio de melhores efeitos visuais para “Avatar: Fogo e Cinzas”.

Diante da repercussão, o BAFTA emitiu um pedido formal de desculpas, assumindo “total responsabilidade” pelo ocorrido e explicando que os tiques de Davidson são involuntários e fora de seu controle. O próprio ativista também se manifestou, expressando estar “profundamente mortificado” com a possibilidade de suas falas terem sido interpretadas como intencionais. No entanto, a BBC se tornou alvo central de críticas por ter exibido o momento em sua transmissão oficial, mesmo com um atraso de aproximadamente duas horas, tempo considerado suficiente por muitos para que o trecho fosse editado. Além disso, o conteúdo permaneceu disponível por cerca de 15 horas no serviço de streaming da emissora antes de ser retirado do ar.

A repercussão política foi imediata. A deputada trabalhista Dawn Butler questionou o diretor-geral da BBC, Tim Davie, sobre a decisão editorial, apontando uma contradição no fato de a frase “Palestina livre”, proferida pelo diretor Akinola Davies Jr., ter sido removida da transmissão, enquanto o insulto racista foi mantido. Butler destacou o impacto do episódio ao mencionar a reação dos atores no palco, que precisaram se recompor para continuar a cerimônia. A líder conservadora Kemi Badenoch também criticou a emissora, classificando a não edição do termo como um “erro horrível”. Até o momento, o BAFTA não se pronunciou sobre a saída de Richardson do júri.

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