Inflação oficial do país sobe 0,33% em janeiro

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação oficial do país, registrou uma alta de 0,33% nos preços ao consumidor no mês de janeiro. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O movimento de alta foi predominantemente impulsionado pelo encarecimento dos combustíveis, com a gasolina apresentando uma elevação média de 2% no período. Em contrapartida, a aplicação da bandeira tarifária verde nas contas de energia elétrica e a contenção nos preços de alimentos contribuíram para mitigar um avanço inflacionário mais significativo.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 4,44%, aproximando-se do limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com um intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O resultado mensal de janeiro se alinhou praticamente às projeções de analistas de mercado, que estimavam uma alta de 0,32% para o mês e 4,43% para o período de 12 meses, conforme a mediana das projeções compiladas pela Bloomberg.

A análise dos nove grupos pesquisados pelo IBGE revelou que sete apresentaram variações positivas. O grupo de Transportes foi o principal fator de pressão, com um aumento de 0,6%, devido à sua relevância no orçamento das famílias brasileiras. Dentro deste grupo, os combustíveis tiveram uma alta média de 2,14%. A gasolina, especificamente, avançou 2% em decorrência do reajuste no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), segundo o IBGE. O etanol subiu 3,44%, o óleo diesel 0,52% e o gás veicular 0,2%. Adicionalmente, o início do ano trouxe reajustes nas tarifas de ônibus urbanos, que subiram 5,14% no país, com aumentos observados em capitais como Fortaleza (20%), Belo Horizonte (8,7%), Rio de Janeiro (6,38%), São Paulo (6%), Salvador (5,36%) e Vitória (4,16%).

Por outro lado, alguns setores contribuíram para desacelerar o índice inflacionário. O grupo Habitação registrou um recuo de 0,11%, influenciado pela redução média de 2,73% na conta de luz, decorrente da transição da bandeira amarela para a verde, que não implica cobrança extra. O grupo Alimentação e bebidas, que já vinha ajudando a conter a inflação, desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro, marcando a menor variação para este mês desde 2006. Itens como leite longa vida (-5,59%) e ovos de galinha (-4,48%) contribuíram para a queda, embora tomate (+20,52%) e carnes (+0,84%) tenham puxado para cima. A inflação de serviços também desacelerou para 0,10% em janeiro, impulsionada por quedas no transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%), embora o acumulado em 12 meses ainda esteja em 5,29%.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, a variação dos preços dos alimentos é resultado de uma combinação de fatores. Ele destacou que o excesso de chuvas e o calor prejudicaram a produção de tomate, enquanto a redução no custo do milho, principal insumo da ração, beneficiou os preços dos ovos. Gonçalves também mencionou que o reajuste do salário mínimo em janeiro pode exercer influência sobre os preços do setor de serviços, além da pressão da demanda em período de férias. Os dados da inflação oficial do país são cuidadosamente monitorados pelo Banco Central, em especial as medidas de serviços subjacentes, que são cruciais para balizar as projeções de corte da taxa básica de juros, com as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) agendadas para março.

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