O governo da Rússia está direcionando cerca de R$ 135 bilhões para um plano estatal voltado ao prolongamento da vida humana e ao combate ao envelhecimento celular, segundo informações divulgadas pelo jornal Wall Street Journal. A iniciativa é coordenada pela endocrinologista Maria Vorontsova, filha do presidente Vladimir Putin.
A busca por tecnologias de longevidade tornou-se prioridade nacional por determinação de Putin, que completa 74 anos em outubro. Em evento realizado em Pequim, no ano passado, o líder russo foi flagrado debatendo com os mandatários Xi Jinping, da China, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte, sobre como a biotecnologia poderia permitir que seres humanos vivam até os 150 anos por meio de transplantes de órgãos.
As pesquisas são conduzidas sob a liderança do recém-criado departamento de Novas Tecnologias de Preservação da Saúde. De acordo com o governo da Rússia, cientistas locais trabalham no desenvolvimento de terapias gênicas para desacelerar o envelhecimento das células. O vice-ministro da Ciência, Denis Sekirinsky, afirmou que esse tipo de tratamento representa uma das frentes mais promissoras no combate ao envelhecimento.
Paralelamente, estudos são realizados na Universidade de Ciência e Tecnologia Sirius, situada nos arredores de Sochi, e em instalações na região do Cáucaso. Segundo relatos veiculados pelo jornal The Sun, cientistas ligados ao projeto conseguiram imprimir tecido cartilaginoso humano e uma glândula tireoide de camundongo por bioimpressão 3D, com a meta de alcançar a substituição completa de órgãos humanos até 2030. O médico Mikhail Kovalchuk é um dos defensores da tese de que a ciência permitirá reparar o corpo humano continuamente.
O projeto e suas premissas, contudo, enfrentam severo ceticismo internacional. Richard Dearlove, ex-chefe do serviço de inteligência britânico MI6, classificou a ambição de alcançar a imortalidade como “ridícula” e uma ilusão, ressaltando que o presidente russo é mortal.



