O cantor de funk João Vitor Ribeiro, nacionalmente conhecido como MC Negão Original, tornou-se alvo de um mandado de prisão temporária emitido nesta terça-feira (24). A medida faz parte da Operação Fim da Fábula, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo para desarticular uma organização criminosa especializada em golpes digitais e lavagem de dinheiro. De acordo com informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), o artista é considerado foragido da Justiça, intensificando a busca pelas autoridades.
Nascido no extremo leste da capital paulista, MC Negão Original consolidou sua carreira na cena do funk ao longo dos anos, chegando a alcançar projeção nacional com músicas no top 100 da Billboard Brasil em 2025, conforme o texto original. Sua trajetória incluiu um período na adolescência, quando dividia o tempo entre a igreja e o envolvimento com o tráfico de drogas na sua região de origem. Aos 14 anos, ele foi internado por seis meses em uma clínica de acolhimento, período após o qual a música, que já era parte de sua rotina religiosa, tornou-se sua profissão. A defesa do artista, representada por João Vitor Ribeiro Marcelino Guido, afirmou que irá se manifestar após ter acesso integral às acusações e se compromete a comprovar a inocência de seu cliente.
A Operação Fim da Fábula, na qual MC Negão Original é um dos alvos, expediu um total de 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão. Até a última atualização da reportagem, dez pessoas já haviam sido presas no âmbito da ação. A investigação é focada em uma complexa organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e estelionatos pela internet, abrangendo diversos tipos de golpes como o do INSS, o do falso advogado, o da “mão fantasma”, fraudes com cartões clonados, falsas centrais telefônicas e uso de plataformas de apostas (bets) e fintechs para clonagem de chaves PIX. A operação está sendo conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) com o apoio do Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP), e mobiliza cerca de 400 policiais civis e promotores em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Em nota oficial, a defesa técnica de João Vitor Ribeiro Marcelino Guido reiterou que o artista é uma pessoa idônea, com uma carreira profissional sólida e grande reconhecimento público no Brasil e no exterior. Os advogados enfatizaram que, por ainda não terem tido acesso integral aos autos da investigação, estão impedidos de realizar uma análise técnica aprofundada dos fatos imputados. Contudo, a defesa assegurou que todas as transações financeiras relacionadas ao artista possuem lastro documental e origem lícita, prometendo que tais provas serão devidamente apresentadas assim que houver acesso completo aos elementos do procedimento. A equipe jurídica também expressou confiança nas instituições e no devido processo legal, afirmando que todos os esclarecimentos necessários serão prestados nos autos, considerado o foro adequado para a análise imparcial dos fatos.
Como parte da estratégia de combate ao crime organizado, a 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital determinou o bloqueio de 86 contas bancárias, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas, com valores que podem alcançar até R$ 100 milhões cada. Além disso, a Justiça autorizou o bloqueio de bens móveis e imóveis, com pelo menos 36 imóveis já identificados, muitos em nome de laranjas ou empresas de fachada, e centenas de veículos e embarcações. O principal objetivo da ofensiva patrimonial é rastrear, apreender e confiscar bens obtidos de forma ilegal, visando garantir o ressarcimento das vítimas e a recuperação dos valores desviados, reafirmando o compromisso das autoridades no desmantelamento completo da organização criminosa.



