Comitê de supervisão da Meta aponta falhas recorrentes na moderação eleitoral de Facebook, Instagram e WhatsApp

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Créditos/Reprodução Internet

No dia 20 de outubro de 2026, o Comitê de Supervisão da Meta – órgão independente criado e financiado pela empresa por meio de um fundo autônomo – divulgou que persistem “falhas recorrentes” na aplicação das normas eleitorais nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp. A comunicação foi feita no mesmo dia em que a Meta enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um comunicado negando qualquer favorecimento a candidatos nas eleições brasileiras.

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O colegiado reúne especialistas de diferentes países, possui estrutura própria e autonomia para deliberar sobre as decisões de remoção ou manutenção de conteúdo, avaliando se estas estão alinhadas às políticas, aos valores e aos compromissos da empresa com os direitos humanos.

Em comunicado divulgado nesta terça‑feira (20), o comitê também criticou o tratamento dado às contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, citando, entre outros casos, a remoção de contas vinculadas ao movimento político americano No Kings, que promove protestos contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O Conselho de Supervisão está preocupado com as falhas recorrentes na aplicação das normas eleitorais da Meta. Desde a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos EUA antes das eleições de meio de mandato até restrições técnicas que afetaram as contas de um candidato à presidência no Brasil, levando a alegações de interferência eleitoral, fica claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de fiscalização durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que a liberdade de expressão política seja protegida, em vez de reprimida”, afirmaram os membros do Comitê.

O colegiado ainda classificou o tratamento dado às contas de anúncios de Lula como “excessiva”. “Da mesma forma, a aplicação excessiva das políticas contra fraudes da Meta às contas de anúncios do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de revisores especializados”, declarou a nota.

O episódio mencionado ocorreu em 23 de setembro, quando, segundo a própria Meta, a conta de anúncios da campanha foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ser rotulado como possível tentativa de imitar um programa social do governo. A campanha considerou o bloqueio injustificado, recorreu à Meta solicitando explicações e o restabelecimento da conta, e a empresa informou que a restrição foi corrigida e que as páginas oficiais da campanha no Facebook e no Instagram foram reativadas.

O Comitê apontou que, em períodos de maior tensão política, os problemas de moderação costumam se manifestar de duas formas: pelo excesso na aplicação das regras, que suprime a expressão política, e pela aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral. Além disso, cobrou indicadores públicos que permitam avaliar a efetividade das medidas adotadas pela Meta durante as eleições.

Segundo o comunicado, a empresa divulga números gerais, como a quantidade de anúncios armazenados ou de contas removidas, mas ainda não estabeleceu métricas públicas que mostrem a eficácia e as principais lacunas na aplicação das regras. Para o colegiado, remoções indevidas de conteúdo político antes de uma eleição podem comprometer a integridade do processo e gerar um efeito inibidor irreversível sobre a participação política.

O texto conclui que as ferramentas automatizadas devem considerar idioma, nuances e contexto político para proteger manifestações que não incitem violência, evitando assim a repressão de discursos legítimos.

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