A supermodelo Anok Yai, de 28 anos, retomou a carreira em maio de 2026 após enfrentar complicações de saúde que quase a levaram à morte. A egípcia naturalizada norte-americana, apontada como uma das 20 tops mais importantes da indústria contemporânea, passou por cirurgias delicadas e um período de internação antes de retornar aos trabalhos. Recentemente, a profissional esteve no Brasil para integrar a programação do Iguatemi Talks Fashion, realizado na última quarta-feira (21).
A crise de saúde manifestou-se logo depois de a modelo conquistar o prêmio de Modelo do Ano do British Fashion Council, em dezembro de 2025. Naquele período, Yai sofria episódios de desmaio durante compromissos profissionais e enfrentava dificuldades para respirar. Exames diagnosticaram uma anomalia congênita no coração e nos pulmões, condição em que uma artéria bombeava sangue em excesso para esses órgãos.
Diante do diagnóstico, a jovem precisou interromper todas as atividades para passar por cirurgias com o objetivo de remover trechos do coração e do pulmão. Durante o período hospitalar, sofreu uma sepse severa e precisou ser reanimada em duas ocasiões. O processo de internação resultou na perda de 13 quilos e exigiu reabilitação para que ela aprendesse a andar novamente.
A experiência transformou a relação de Anok com a rotina profissional e o cuidado pessoal. “Depois disso, me tornei realmente metódica sobre como escolho os ensaios e desfiles que farei e cuido muito mais de mim, mentalmente, fisicamente e espiritualmente. Antes, não tirava tempo para realmente descansar e respirar. Estava apenas indo, indo, indo…”, declarou a modelo em entrevista. Ela ressaltou que deixou de sentir a pressão contínua para aceitar todos os convites de desfiles e ensaios.
O retorno aos eventos de grande porte incluiu sua participação no Victoria’s Secret Fashion Show de 2026, exigindo uma preparação física rigorosa baseada em dieta proteica e rotina diária de exercícios. A modelo praticou aulas de bicicleta, pilates e boot camp, iniciando com uma hora de treino por dia até atingir a marca de três horas diárias na semana anterior ao desfile. “Agora, estou pensando se continuarei com essa rotina, se meu treinador ainda me fará treinar tudo isso. Vamos ver!”, comentou, bem-humorada.
A trajetória de Yai é marcada por uma história de superação que precede o sucesso nas passarelas. Nascida no Egito e filha de pais sudaneses, ela é refugiada de guerra e mudou-se com a família para o estado de New Hampshire, nos Estados Unidos. Antes da carreira na moda, trabalhou como faxineira e atendente de supermercado, além de ter estudado biotecnologia como preparação para cursar medicina.
Essas vivências contribuíram para a consolidação de sua autoconfiança no ambiente de trabalho. “Minha confiança cresceu à medida em que eu cresci, viajei o mundo e me cerquei de pessoas fortes e inspiradoras”, destacou a supermodelo. Ela acrescentou ainda que a aceitação pessoal ocorre progressivamente: “Lembro de ser jovem e ter muita dificuldade em me aceitar e acho que isso é algo que vem naturalmente a medida em que você cresce e realmente acha sua própria essência. Aí você realmente aprende a se aceitar. Vem com o tempo”.
No início de 2026, Anok foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. A escolha fortaleceu sua determinação de utilizar a visibilidade alcançada em favor de causas sociais, incluindo planos de iniciar projetos filantrópicos voltados ao suporte de artistas pretos e ao benefício de meninas negras pelo mundo. “Fiquei chocada quando descobri [que estava na lista]! Pensei que era fake, não acreditava que fosse real! Lembro também de estar naquela sala com todo mundo que foi nomeado, tinha tanto poder naquele lugar. Realmente me inspirou a usar minha plataforma para militar por todas as meninas pretas e por todos os artistas pretos”, pontuou.

