Na data dedicada a conscientizar a população sobre os danos causados pelo tabagismo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que a nicotina — presente tanto no cigarro convencional quanto nos dispositivos eletrônicos para fumar (vapes) — pode facilitar o surgimento de doenças respiratórias, além de outros males. De acordo com o médico otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, os impactos mais imediatos e preocupantes estão na saúde respiratória.
“O cigarro tradicional contém mais de 7 mil substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas, que irritam e inflamam as vias aéreas. Já o vape, embora seja visto por alguns como uma alternativa ‘menos nociva’, libera nicotina em altas concentrações e aerossóis que prejudicam o revestimento da mucosa respiratória. Em ambos os casos, o resultado é maior vulnerabilidade a infecções, doenças crônicas e até câncer de boca, garganta e pulmão”, explica.
O perigo do cigarro convencional
O tabagismo clássico continua sendo uma das principais causas de bronquite crônica, enfisema pulmonar, sinusite recorrente e laringite crônica. Para o especialista, o risco é cumulativo:
“O fumante crônico compromete a capacidade de defesa natural da mucosa nasal, da faringe e da laringe, abrindo portas para infecções frequentes e processos inflamatórios que, ao longo do tempo, podem evoluir para quadros graves.”
O “novo risco” do vape
Apesar de vendido como alternativa “mais segura”, o cigarro eletrônico também preocupa. Estudos recentes mostram que os líquidos vaporizados liberam metais pesados, aldeídos e nicotina em altas doses, capazes de causar inflamações nos brônquios e nas vias respiratórias superiores.
“Já atendemos jovens com quadros de bronquite química e crises respiratórias severas relacionadas ao uso de vapes. É um problema que tende a se tornar mais frequente, já que a adesão entre adolescentes cresce em ritmo alarmante”, alerta Dr. Bruno.
Sinais de alerta
O fumante pode identificar que o cigarro ou o vape estão prejudicando a saúde respiratória quando surgem sinais como:
- Tosse persistente
- Produção frequente de catarro ou pigarro
- Rouquidão ou alterações na voz
- Falta de ar em atividades simples
- Chiado no peito
- Infecções respiratórias recorrentes (como sinusite, faringite e bronquite)
- Irritação e ressecamento constantes na garganta e no nariz
“Todos esses são sintomas que refletem a inflamação e o comprometimento progressivo das vias aéreas”, alerta o médico.
Benefícios de abandonar o cigarro aparece nas primeiras horas
Dr. Bruno conta que, ao parar de fumar, os benefícios respiratórios aparecem em diferentes etapas:
- Após 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue caem e, com isso, a oxigenação melhora, trazendo uma respiração menos ofegante.
- Depois de 2 a 3 dias, a nicotina já foi eliminada do organismo e, assim, o ar começa a parecer menos “pesado”.
- Passadas 2 semanas, a circulação melhora e, além disso, a capacidade pulmonar aumenta, facilitando atividades simples.
- Após 1 mês, os brônquios desinflamam e, como resultado, tosse, pigarro e falta de ar diminuem, enquanto os cílios das vias respiratórias voltam a funcionar, reduzindo o acúmulo de muco.
- De 3 a 9 meses depois, a função pulmonar pode melhorar em até 10% e, desse modo, o chiado no peito e as infecções respiratórias tornam-se menos frequentes, enquanto o fôlego aumenta.
- Finalmente, após 1 ano, o risco de doenças respiratórias crônicas e cânceres ligados ao tabaco começa a cair de forma significativa, o que evidencia que os ganhos para a saúde são rápidos e progressivos.
“O que precisamos reforçar para a população é que o tabaco, em todas as suas formas, prejudica muito além dos pulmões. Ele afeta a garganta, o nariz, a boca e todo o sistema respiratório, áreas de atuação direta da otorrinolaringologia. A única recomendação realmente segura é parar de fumar”, conclui o médico.