No dia 18 de fevereiro de 2025, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia que aponta a participação direta do ex‑presidente Jair Bolsonaro na elaboração e anuência de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice‑presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Batizada de “Punhal Verde Amarelo”, a conspiração faria parte de uma série de ações golpistas destinadas a impedir a transição de governo após as eleições de 2022.
Segundo o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, o plano foi concebido e levado ao conhecimento do então chefe do Executivo, que “a ele anuiu”. A denúncia descreve que o projeto continha detalhes minuciosos e alvos definidos para “neutralização”. Para o ministro Alexandre de Moraes, a estratégia previa o uso de armamentos bélicos, enquanto o assassinato de Lula seria executado por envenenamento. Entre os documentos apreendidos, constava a expressão “Lula não sobe a rampa”.
A Polícia Federal informou que a conspiração não ficou restrita ao papel: já haviam sido iniciadas ações operacionais de monitoramento dos alvos, como a chamada Operação Copa 2022. A execução final, prevista para 15 de dezembro de 2022, foi interrompida na última hora por falta de adesão do Comando do Exército.
O marco da fase mais ostensiva do plano ocorreu em 9 de novembro de 2022, quando o documento “Punhal Verde Amarelo” foi impresso dentro do Palácio do Planalto pelo general do Exército e ex‑assessor da Presidência Mário Fernandes. Registros de entrada confirmam que o militar esteve também no Palácio da Alvorada no mesmo dia. A ciência e o acompanhamento de Bolsonaro sobre o esquema foram demonstrados, segundo a PGR, por meio de mensagens e áudios recuperados pela Polícia Federal.
Em um dos registros, Mário Fernandes relata ao então ajudante de ordens Mauro Cid ter conversado pessoalmente com Bolsonaro sobre o momento ideal para a execução das ações, observando que o ex‑presidente considerava viável a realização de atos até 31 de dezembro de 2022.
Além de Jair Bolsonaro, a denúncia inclui outras 33 pessoas – entre militares de alta patente e civis – acusadas dos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Entre os nomes citados estão o ex‑ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto e o ex‑ajudante de ordens Mauro Cid.



