Em entrevista à Agência Pública, Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, que foi morta aos cinco anos por um tiro de fuzil disparado por um policial militar em Niterói, em fevereiro de 2021, manifestou profunda angústia com a postura do senador Flávio Bolsonaro durante o debate da Band entre os candidatos à presidência. Para a mãe, a recusa do político em responder ao caso foi “desesperador”. Ela ressaltou que a situação agrava ainda mais o sofrimento que já acompanha o luto pela filha.
A repercussão em torno do nome de Ana Clara ganhou novo fôlego nas últimas semanas, depois que a série jornalística Revelando, apresentada por Camila Pitanga, exibiu um episódio dedicado ao caso. O programa trouxe à tona o fato de que Flávio Bolsonaro assumiu a defesa do policial Bruno Dias Delaroli, réu pelo homicídio, ao assinar recurso no Superior Tribunal de Justiça para impedir a realização de júri popular. Essa atuação do senador foi apontada como motivo de indignação por Cristiane.
No relato à reportagem, a mãe detalhou a dor e o isolamento que tem enfrentado desde que a história voltou à esfera nacional. Ela contou que sofreu ataques de apoiadores do parlamentar, vivenciou episódios de pânico e depressão e foi despejada da casa onde morava. Atualmente desempregada, vive de favor com uma amiga e enfrenta graves dificuldades financeiras para sustentar o filho caçula, Pedro, de oito anos, que recebe acompanhamento psicológico.
Cristiane também criticou os sucessivos adiamentos do julgamento do policial, inicialmente previsto para abril e agora remarcado para maio de 2027, apontando que a falta de um calendário definido impede a construção de uma defesa estruturada. Apesar do medo e da escassez de recursos, a mãe reforçou sua determinação em manter viva a memória da filha. “Enquanto eu respirar por nós duas, teu nome será lembrado”, declarou.
A mulher afirma que continuará lutando para que a morte de Ana Clara não seja esquecida, denunciando a impunidade e exigindo que as autoridades respondam ao caso que mobiliza a sociedade brasileira.



