Deepfakes em memes já existiam antes de 2026, mas app da OpenAI ampliou a febre

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Créditos/Reprodução Internet

Meme com deepfake não surgiu em 2026; a prática já era observada em 2020, quando o sucesso da música “Baka Mitai” fez internautas dublarem rostos usando ferramentas gratuitas, conforme relatou a MIT Technology Review. O que mudou foi a escala da brincadeira, impulsionada pelo lançamento, em setembro de 2025, do aplicativo Sora pela OpenAI, que transformou a produção de deepfakes em um fenômeno de massa.

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A repercussão foi tão intensa que o próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, acabou virando meme, aparecendo como popstar de K‑pop e até como suspeito de furtar placas de vídeo em loja, segundo a Fast Company. Altman admitiu que ver seu rosto circulando em milhares de publicações era menos estranho do que imaginava. A euforia, porém, chegou ao fim em março de 2026, quando a empresa desativou o Sora diante de críticas sobre vídeos realistas produzidos sem consentimento.

Enquanto os memes sem rosto real ganhavam força, a Geração Alpha alimentava um “brainrot” próprio, com personagens como a Ballerina Cappuccina – um café que se transforma em bailarina –, o Tralalero Tralala, um tubarão que veste tênis, e figuras híbridas como Abacatudo, Moranguete e Bananildo, que encenam dramas cotidianos, de acordo com a CNN Brasil.

No âmbito político, pesquisadores da Universidade Purdue demonstraram que deepfakes podem ser tão óbvios quanto falsos, citando um exemplo em que Donald Trump, ao estilo de “Pai Fundador”, assina um documento com pena. No Brasil, a disputa do segundo turno presidencial virou alvo de humor digital logo após o primeiro turno, em 4 de outubro, quando o Metrópoles registrou uma onda de vídeos de IA envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro, misturando ironia sobre o resultado e a disputa prevista para 25 de outubro.

O projeto VigIA, desenvolvido pela Lupa, contabilizou ao menos 554 deepfakes na campanha do primeiro turno: 379 com Lula e 190 com Flávio. Entre os conteúdos de Lula, 39% eram classificados como humor ou sátira; entre os de Flávio, 28% se enquadravam nessa categoria. Contudo, nem tudo era brincadeira: 34% dos vídeos com Lula continham ataques, enquanto 40% dos que mostravam Flávio buscavam favorecê‑lo. Dos 920 materiais de IA monitorados, apenas 371 – cerca de 40% – traziam aviso de que haviam sido produzidos por inteligência artificial.

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