A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) requereu ao Tribunal Superior Eleitoral a retirada, até o encerramento do segundo turno, de páginas vinculadas a entidades da sociedade civil, artistas, movimentos progressistas e políticos. Entre os alvos está o 342 Artes, coletivo que reúne artistas em defesa da democracia, apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e é administrado por Paula Lavigne, empresária e esposa de Caetano Veloso.
A ação acusa o 342 Artes de divulgar uma tese considerada infundada, baseada na interpretação de declaração de Flávio Bolsonaro sobre “mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil”. Segundo a campanha, tal interpretação corresponde exatamente ao que o candidato de extrema‑direita prometeu.
Considerando a publicação como infração grave, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu que as páginas sejam retiradas do ar até o término do segundo turno. O 342 Artes atua há anos em pautas ligadas à cultura e ao meio ambiente, congregando artistas que defendem a democracia e manifestam apoio a Lula.
O pedido contra o 342 Artes surge enquanto permanece bloqueado o canal “Exército de Lula”, criado por André Janones. O ministro Kassio Nunes Marques manteve a suspensão após não encontrar a notícia falsa apontada inicialmente pela campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão passou a se fundamentar na alegação de que o canal não estava registrado como oficial da campanha de Lula. Mesmo depois de registrado, o canal continuou fora do ar.
A controvérsia ganhou novo contorno ao ser constatado que a “Tropa do PL”, canal de apoio a Flávio Bolsonaro, também não estava registrado na Justiça Eleitoral. Até o momento descrito, não havia sido aplicada a mesma medida ao referido canal. A diferença de tratamento alimentou questionamentos sobre a atuação da Justiça Eleitoral e sobre a aplicação uniforme das regras aos grupos que apoiam os dois candidatos.



