Netinho morre aos 60 anos; cantor de axé deixa legado musical e controvérsias políticas e sociais

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Créditos/Reprodução Internet

O cantor baiano Netinho faleceu nesta terça‑feira, 13 de outubro, aos 60 anos, encerrando uma carreira que o consagrou como uma das vozes mais populares do axé music. Além dos sucessos “Mila”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana”, sua trajetória ficou marcada por controvérsias envolvendo política, a comunidade LGBTQIA+ e a utilização de sua principal música em eventos pró‑Bolsonaro.

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Netinho ganhou projeção nacional ao integrar os trios elétricos de Salvador, transformando “Mila”, composição de Manno Góes, em um dos refrões mais reconhecidos da música baiana. A canção tornou‑se símbolo de sua discografia e, mais tarde, gerou uma disputa judicial entre o cantor e o compositor.

Em 2008, o artista declarou ser bissexual em entrevista à revista Quem, afirmando gostar de “meninos e meninas”. A revelação, na época, trouxe visibilidade à sua orientação sexual, mas também alimentou críticas posteriores quando suas falas sobre sexualidade passaram a ser percebidas como ofensivas.

Durante uma transmissão ao vivo com o deputado Eduardo Bolsonaro, em 2020, Netinho afirmou ter abandonado a vida sexual quatro anos antes, alegando tratar o comportamento como um vício. Na mesma ocasião, atacou a comunidade LGBTQIA+ ao dizer que seus integrantes “só enxergam a vida pela lente do fiofó” e qualificou o Carnaval de Salvador de “Sodoma e Gomorra”.

No ano seguinte, Netinho cantou “Mila” em um ato pró‑Bolsonaro em São Paulo, que defendia a intervenção militar. Manno Góes repudiou publicamente o uso político da obra e declarou que não autorizava a sua execução naquele evento. Em resposta, o cantor ingressou com ação judicial contra o compositor, pleiteando indenização por danos morais.

Filho do Partido Liberal (PL), Netinho concorreu à Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, mas não obteve sucesso e não garantiu vaga no Legislativo federal.

Em janeiro de 2023, o Iate Clube de Aracaju cancelou um show de Carnaval que ele teria realizado, após a divulgação de publicações em apoio aos atos golpistas de 8 de janeiro. O artista negou defender vandalismo ou terrorismo e afirmou que qualquer vínculo com crimes deveria ser comprovado em juízo.

Em 2013, Netinho enfrentou graves problemas de saúde, incluindo derrames e hemorragia hepática, que atribuiu ao consumo de anabolizantes comercializados como suplementos. O cantor processou o médico que teria prescrito os produtos e, após a recuperação, passou a alertar jovens sobre os riscos dessas substâncias.

A morte de Netinho deixa um legado musical indelével, ao mesmo tempo em que reaviva o debate sobre os limites entre arte, opinião pública e responsabilidade social.

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