O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta segunda-feira, as críticas dos clubes de futebol contra a proibição das empresas de apostas no país. Durante cerimônia de sanção de medidas voltadas ao futebol feminino, Lula voltou a defender o encerramento das plataformas, sustentando que as apostas têm levado famílias ao endividamento e afirmando que a decisão não trará prejuízos ao esporte.
“Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol. Os melhores momentos da história do futebol brasileiro não existiam bets”, declarou o presidente. Ao comentar a situação financeira das equipes, Lula ressaltou que os clubes devem buscar uma gestão eficiente: “E os clubes que se virem. Nós já aprovamos a lei que os clubes podem virar empresa. Agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa”.
Durante o discurso, o presidente classificou o setor de apostas como uma “máquina de matar o povo pobre” e afirmou que essas empresas terão de buscar outras atividades se quiserem continuar lucrando, gerando empregos de qualidade.
A cerimônia contou com a presença da primeira-dama, Janja, que vestia uma camisa do Flamengo. O clube carioca é uma das equipes que podem perder receitas, já que possui contrato de patrocínio com a Betano estimado em R$ 268,5 milhões por temporada. Do total de 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 14 mantêm patrocínio com empresas de apostas.
Diante do cenário em que empresas do setor já notificaram os times sobre o possível encerramento de contratos, o governo marcou uma reunião para esta terça-feira para ouvir dirigentes e mensurar as perdas financeiras das agremiações. O Palácio do Planalto informou que ainda não definiu se oferecerá alguma medida para mitigar o impacto.
A medida provisória, publicada na última sexta-feira, proibiu novos depósitos nas plataformas e fixou o prazo até 5 de outubro para que apostadores retirem os saldos das contas. A saída do ar de sites e aplicativos está prevista para o dia posterior. Entidades que representam o setor de apostas recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira na tentativa de suspender a medida.



