O empresário Ivo Vel Kos, cofundador da securitizadora Virgo e figura conhecida no mercado financeiro paulistano, foi preso em flagrante na madrugada da última sexta-feira (14), em São Paulo, sob acusação de violência doméstica contra a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos. A detenção em flagrante foi posteriormente convertida em prisão preventiva pela Justiça.
De acordo com o depoimento prestado pela vítima às autoridades policiais, as agressões tiveram início no trajeto de volta para casa, após o casal participar de um jantar com clientes do executivo. Giullia relatou ter sido atingida por socos na região do rosto e golpeada na mão com um taco de beisebol, além de ter sido intimidada com uma arma de choque (taser). A cirurgiã-dentista destacou ainda em sua oitiva que os episódios de violência não foram isolados, afirmando já ter sido alvo de agressões anteriores cometidas pelo companheiro.
Em publicação divulgada nas redes sociais, Giullia exibiu registros em vídeo detalhando os ferimentos que atribui ao marido. Em contrapartida, Ivo Vel Kos apresentou versão divergente à polícia: negou veementemente ter agredido a esposa no interior do veículo e sustentou que a discussão física partiu de Giullia. Segundo o boletim de ocorrência, o empresário alegou ter apenas reagido às investidas da mulher com um soco, negando a utilização do taser ou a existência de ameaças de morte.
Conforme nota emitida pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), ambos os envolvidos apresentavam lesões corporais visíveis e foram submetidos a exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que indiciou Kos pelos crimes de lesão corporal, violência doméstica e ameaça.
Trajetória no mercado financeiro
Ivo Vel Kos consolidou carreira no setor de crédito estruturado ao cofundar a securitizadora Virgo, instituição especializada na emissão de títulos de recebíveis como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
Em 2025, a atuação da empresa e do executivo entrou na mira dos órgãos reguladores, culminando em um processo instaurado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). À época, a autarquia acusou Kos de movimentação indevida de recursos alocados em fundos de reserva vinculados a essas emissões. No mesmo ano, o controle da securitizadora foi negociado e vendido ao grupo Riza.
Graduado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) — sem especificação da área acadêmica em seu perfil profissional —, o empresário declarava estar afastado de suas atividades corporativas desde setembro do ano anterior, período em que afirmava usufruir de uma licença sabática.



