Em seu primeiro pronunciamento público após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgar uma reformulação drástica em seus critérios de elegibilidade para a categoria feminina, a oposta Tifanny Abreu, do Osasco, expressou profunda consternação com a medida e garantiu que buscará todos os meios para assegurar sua continuidade nas quadras.
A manifestação ocorreu logo após a partida de estreia da equipe osasquense no Campeonato Paulista. Diante da imprensa, Tifanny fez a leitura de uma declaração previamente elaborada, revelando o abalo sofrido desde a publicação da normativa na última sexta-feira (14). “Não foi fácil. Foi uma noite muito difícil para mim”, desabafou a atleta, que pontuou que os desdobramentos da decisão extrapolam a esfera individual, alcançando o clube, torcedores, patrocinadores e todos que acompanham sua carreira de uma década no voleibol feminino.
A jogadora classificou a reintrodução de avaliações genéticas como um retrocesso nas discussões acerca da inclusão no ambiente esportivo. Firme quanto ao seu futuro profissional, Tifanny foi enfática: “Não vou me calar”. A atleta reiterou que pretende adotar as medidas cabíveis para defender sua permanência na modalidade e os direitos consolidados ao longo de sua trajetória.
Entenda a nova política da CBV
A regulamentação implementada pela CBV restringe as competições adultas femininas a atletas classificadas pela entidade como pertencentes ao sexo biológico feminino. O protocolo passa a exigir a triagem do gene SRY — que pode ser realizada por meio de amostras de saliva, mucosa bucal ou sangue. Indivíduos com resultado SRY negativo são considerados aptos, enquanto testes com resultado positivo inviabilizam a participação na categoria feminina, ressalvadas exceções médicas pontuais previstas no regulamento.
A nova determinação abrange a Superliga A e B 2026/27, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027 e os torneios nacionais adultos de vôlei de praia a partir de 2027. De acordo com o presidente da CBV, Radamés Lattari, o objetivo da entidade é harmonizar os certames nacionais com as diretrizes vigentes adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol.
Liberação no Campeonato Paulista e reação do Osasco
A despeito da restrição imposta em âmbito nacional, o cenário de Tifanny no Campeonato Paulista permanece inalterado a curto prazo. Como a competição organizada pela Federação Paulista de Volleyball (FPV) teve início em 13 de agosto — um dia antes da publicação da portaria da CBV —, a entidade estadual optou por manter o regulamento vigente na data de abertura. Com isso, a jogadora está autorizada a disputar normalmente a edição de 2026 do estadual, enquanto a FPV submete o tema à avaliação de seus departamentos médico e jurídico para decisões futuras.
O Osasco, equipe que Tifanny defende desde 2021 e pela qual conquistou a Superliga 2024/25, posicionou-se criticamente em relação ao processo de implementação da norma. A agremiação informou ter sido pega de surpresa pelo anúncio, ressaltou que não participou da formulação das novas diretrizes e declarou que seu corpo jurídico já estuda as medidas aplicáveis diante do veto federativo.



