Trump eleva tensão e ameaça declarar o Estreito de Ormuz território dos EUA

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Créditos/Reprodução Internet

Em um novo capítulo da escalada de tensões no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última sexta-feira (14/08) que planeja declarar o Estreito de Ormuz um “território dos EUA” assim que consolidar a vitória militar sobre a República Islâmica. A declaração, proferida durante um comício no estado de Nova York, intensificou o tom beligerante entre as duas nações em um momento crítico, a poucos dias do encerramento de um prazo diplomático bilateral.

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“Depois que terminarmos de derrotar o Irã, que está sendo derrotado muito gravemente, muito em breve declararei o estreito de Ormuz território dos EUA, em essência. Temos um bloqueio. Nenhum navio passa a menos que queiramos que passe”, asseverou o líder republicano aos seus apoiadores.

O pronunciamento ocorre às vésperas do término do prazo de 60 dias estabelecido por um memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho. O documento previa a “interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes” com o intuito de pavimentar as negociações para o encerramento do conflito. Posicionado estrategicamente entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é um dos principais corredores marítimos do comércio global de energia e converteu-se no epicentro dos atritos geopolíticos.

Divergências de tom e resposta iraniana

Apesar do impacto das declarações, um funcionário da Casa Branca declarou posteriormente ao jornal The Wall Street Journal, sob anonimato, que o mandatário norte-americano estava brincando. Contudo, ao longo da mesma semana, Trump já havia sinalizado em sua própria rede social o interesse em manter a rota sob controle de Washington, argumentando que as incursões aéreas desferidas desde fevereiro minaram a capacidade militar de Teerã: “Os EUA têm o controle total do estreito de Ormuz. Acho que vamos ficar com ele!”, escreveu, acrescentando que “não há nada que o Irã possa fazer a respeito”.

A reação de Teerã foi imediata e enfática. Neste sábado, o número dois da diplomacia iraniana, Kazem Gharibabadi, rebateu as falas do presidente americano, assegurando a soberania de seu país sobre a passagem marítima.

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“O estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará a ser iraniano. Este estreito só será aberto e fechado por ordem do Irã”, declarou Gharibabadi. O diplomata ainda pontuou: “Enquanto se recusarem a aceitar a realidade da derrota e continuarem a se iludir, o Irã continuará a impor um bloqueio.”

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A retórica dura ecoa também na cúpula do governo norte-americano. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ressaltou na quinta-feira a meta de impor a Teerã um “isolamento econômico e o bloqueio continuado do estreito de Ormuz”, enquanto o secretário de Guerra, Pete Hegseth, ameaçou estender o cerco “indefinidamente”. Do lado oposto, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, advertiu que a rota não será desobstruída até que Washington cesse as operações bélicas e o bloqueio naval, libere os ativos iranianos retidos no exterior e concorde com um cessar-fogo que englobe o Líbano e a Faixa de Gaza.

Impacto econômico e novos incidentes marítimos

Enquanto a via diplomática permanece estagnada, a instabilidade operacional na região voltou a se manifestar. A estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC, informou no sábado que uma de suas embarcações sofreu um ataque na noite anterior. O governo emiradense também atribuiu ao Irã a responsabilidade por investidas recentes contra outros dois navios que cruzavam o canal marítimo.

Episódios similares de hostilidade marítima já haviam sido responsáveis pela ruptura de uma trégua prévia acertada em abril. Pelo acordo desenhado em junho — concebido como marco inicial para um tratado duradouro —, caberia a Teerã e a Mascate estabelecer as futuras diretrizes operacionais do estreito em consonância com o direito internacional e em diálogo com os demais países do Golfo.

Historicamente responsável pelo escoamento de cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás liquefeito, o Estreito de Ormuz tem gerado sucessivos picos nos preços das commodities energéticas desde o início dos confrontos. Essa volatilidade amplifica a pressão econômica e política sobre os Estados Unidos, em um cenário no qual as autoridades iranianas passaram a reivindicar o controle efetivo da rota e a cobrança de pedágios marítimos, prerrogativas que não exerciam antes da eclosão do conflito armado.

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