Fifa cancela projeto de venda de direitos comerciais após reação negativa de entidades

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Créditos/Reprodução Internet

A Fifa anunciou o cancelamento do projeto de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa idealizada para gerir os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender participação a investidores privados. A decisão foi divulgada na noite de sexta-feira em um comunicado assinado pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, após forte rejeição de confederações continentais.

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Em nota oficial, Infantino declarou: “Após ouvir atentamente a todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio, já não servem ao objetivo inicialmente proposto. Nosso objetivo sempre foi – e sempre será – unir e melhorar. Consequentemente, esta proposta não prosseguirá”.

O dirigente indicou que fará reuniões para alinhar os próximos passos da entidade. “Olhando para o futuro, minha intenção é reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, num espírito de interesse comum pelo nosso esporte, e com o objetivo de continuar a desenvolver o futebol em todos os lugares, e particularmente naqueles países que mais precisam do nosso apoio”, completou.

Oposição das confederações

O projeto enfrentou resistência direta de dirigentes esportivos globais. As 55 federações filiadas à Uefa concordaram, em reunião extraordinária, em boicotar os torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o plano fosse mantido.

A Concacaf também manifestou oposição formal, citando em nota “profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta”. A Confederação Asiática de Futebol (AFC), que reúne 46 associações, fez coro aos protestos da entidade europeia. Em contrapartida, Conmebol, CAF e OFC mantiveram postura neutra. A Conmebol afirmou que pretendia “agir com prudência e responsabilidade”.

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A soma de votos da Uefa (55) e da Concacaf (35) exigiria apenas mais 16 votos contrários para impedir a obtenção de maioria simples (106 votos no universo de 211 federações filiadas à Fifa).

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Baixas na equipe e recuo de investidores

Junto ao cancelamento da proposta, o principal assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo. Ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, Cordeiro afirmou que a FFE representava “um mau negócio para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte”.

Antes do posicionamento oficial da Fifa, o jornal americano New York Post noticiou que os investidores do projeto haviam retirado as propostas e que “o acordo estava encerrado”.

A FFE tinha valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,6 bilhões) e previa a venda de até 20% das ações para arrecadar US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões). Segundo a imprensa dos Estados Unidos, o grupo de investidores incluía Joshua Kushner, e a estruturação contava com o banco JP Morgan e com Greg Maffei, CEO da BANN Ventures e ex-executivo da Liberty Media.

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