O Club de Regatas Vasco da Gama e o empresário Marcos Lamacchia, filho de Roberto Lamacchia, proprietário da Crefisa, estão em fase avançada para a conclusão da negociação envolvendo a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. A informação ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira, dia 15, com a publicação de um edital para a alienação judicial das ações pretendidas pela Almirante Participações, empresa que representa o investidor. Este movimento jurídico marca um passo crucial nas tratativas que se estendem há aproximadamente dois anos, visando a reestruturação financeira da instituição cruz-maltina.
As discussões sobre a venda da SAF do Vasco têm sido conduzidas nos últimos dois anos entre Marcos Lamacchia e Pedrinho, atual presidente do clube associativo. É fundamental destacar que este processo não se configura como uma venda comum de ativos, mas sim como uma alienação judicial. Este instrumento jurídico é empregado para forçar a venda de um bem com o objetivo de quitar dívidas existentes. A revenda do futebol do Vasco, neste cenário, é parte integrante de um plano de reestruturação mais amplo, que se seguiu ao pedido de recuperação judicial do clube.
A proposta inicial apresentada pela Almirante Participações, representada por Marcos Lamacchia e Mario Junqueira Junior, é de, no mínimo, R$ 650 milhões. Este montante será alocado em diversas áreas do clube, incluindo investimentos no time principal, na infraestrutura do Centro de Treinamento Moacyr Barbosa e nas categorias de base. A Almirante Participações opera no processo como “stalking horse bidder”, o que a posiciona como investidora âncora, detendo o direito de preferência na aquisição das ações.
Um contrato vinculante já foi firmado entre as partes, detalhando os termos da negociação. Nele, está previsto que, caso outro investidor apresente uma proposta superior à de Lamacchia e Junqueira, a Almirante Participações receberá uma compensação de R$ 50 milhões. A concretização da venda, contudo, está condicionada a algumas condições, como a reorganização societária da SAF. O prazo estipulado para a conclusão integral da operação é até 30 de setembro de 2026. Entre as principais obrigações contidas na proposta, destaca-se um aporte mandatório de R$ 500 milhões, exclusivo para o futebol, a ser dividido em parcelas anuais de R$ 100 milhões.
Além disso, a proposta inclui um investimento de R$ 120 milhões no CT Moacyr Barbosa ao longo de 10 anos e um aporte de R$ 30 milhões nas categorias de base, distribuídos em dois anos. Há também o compromisso de não distribuir dividendos aos acionistas por uma década, garantindo que os recursos permaneçam direcionados ao desenvolvimento do futebol. O plano prevê ainda a busca por incentivos fiscais para o clube, que podem totalizar R$ 150 milhões ao longo desses 10 anos. As obrigações financeiras e estratégicas delineadas no acordo demonstram um compromisso de longo prazo com a sustentabilidade e o desenvolvimento do Vasco da Gama.



