Argentina na Copa: entre viradas de Messi e acusações de racismo e favorecimento

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Créditos: Imagem/Divulgação

A seleção da Argentina se destacou na Copa do Mundo, chegando à semifinal do torneio com Lionel Messi como um de seus principais protagonistas. No entanto, o percurso da equipe foi acompanhado por uma série de discussões amplificadas nas redes sociais, com acusações de favorecimento da arbitragem e de episódios de racismo envolvendo torcedores e representantes argentinos.

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O cenário de críticas ganhou força à medida que a Argentina avançava no campeonato, impulsionada por viradas em campo. As polêmicas, que abrangem desde decisões arbitrais até manifestações de preconceito, contribuíram para um ambiente controverso em torno da participação argentina, gerando debates e reações tanto na imprensa quanto entre o público.

As alegações de favorecimento começaram a surgir com mais intensidade após o jogo contra o Egito, onde um gol de Ziko foi anulado por uma suposta falta em Lisandro Martínez no início da jogada. No mesmo confronto, houve reclamações sobre um pênalti não assinalado a favor de Mohamed Salah e um pênalti cobrado e desperdiçado por Messi, que teria ocorrido em Nicolás Tagliafico. Outro momento que gerou discussão foi na partida contra a Suíça, quando Breel Embolo recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso após o árbitro de vídeo acionar o juiz de campo por erro de identidade em uma jogada com Leandro Paredes, com a revisão apontando simulação do jogador suíço. A nomeação do norte-americano Ismail Elfath para apitar a semifinal intensificou a polêmica, com o jornal inglês Daily Mail o descrevendo como “árbitro favorito de Lionel Messi”, destacando que o Inter Miami venceu todos os jogos sob o comando de Elfath desde a chegada do argentino ao clube em junho de 2023.

Paralelamente, a rejeição nas redes sociais também envolveu episódios de racismo. Em 2024, jogadores da seleção argentina foram flagrados comemorando o título da Copa América com cânticos racistas direcionados à seleção francesa. Durante o Mundial, a vice-governadora de Mendoza, Hebe Casado, causou repercussão ao postar no X, após o jogo França x Paraguai: “Muito bem, Paraguai. O time africano, sem modos. Não suporto Mbappé”. A declaração levou a embaixada da França a declarar Casado “persona non grata”. Um dos casos mais notórios envolveu o influenciador norte-americano IShowSpeed, que foi hostilizado por torcedores argentinos no jogo contra o Egito enquanto filmava um torcedor imitando um macaco. Ele já havia sido alvo de hostilidade na partida anterior, contra Cabo Verde, ao usar uma camisa do país africano. A Fifa iniciou uma investigação para apurar esses incidentes.

Diante das controvérsias, o zagueiro Lisandro Martínez defendeu a atuação dos árbitros após a vitória sobre o Egito, afirmando: “Acho que eles [árbitros] estão fazendo um excelente trabalho. Isso é algo para vocês [imprensa], que às vezes geram as controvérsias. Nós nos preocupamos em dar o nosso melhor em campo e nada mais”. O técnico Lionel Scaloni também comentou a pressão, comparando o ambiente atual a críticas antigas: “Em 1986 [quando a Argentina venceu a Copa], também diziam que nos favoreciam, isso não vem de agora. A Argentina é uma das equipes que sempre animam o torneio. Há pessoas que não querem que a Argentina ganhe, mas é normal. Há bastante gente querendo que não ganhemos, talvez porque já vencemos a última.” O sociólogo argentino Nicolas Cabrera, doutor em antropologia e pesquisador da violência entre torcidas, apontou que o problema no país reside na negação do racismo, onde “a principal característica é a negação do racismo na Argentina. Não é só a persistência do racismo, senão a dificuldade para reconhecê-lo como um problema, o que faz com que essas expressões racistas sejam tratadas como brincadeiras”.

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