Centenas de torcedores do Vasco da Gama realizaram um protesto na manhã deste domingo (28) em frente a São Januário. O movimento teve como objetivo manifestar indignação contra a decisão judicial que afastou Pedrinho, há quase uma semana, do comando da SAF do clube. Organizado por torcidas, o ato também clamou pela finalização do processo de venda da SAF para Marcos Lamachia, cujas negociações são consideradas avançadas.
O afastamento de Pedrinho ocorreu na última terça-feira, por determinação da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A juíza Caroline Fonseca atendeu a um pedido da 777 Carioca, alegando falhas na governança e transparência da SAF vascaína. Além de Pedrinho, que permanece como presidente do clube social, os conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias também foram retirados do Conselho de Administração da SAF. Para gerenciar a situação, a juíza nomeou Samantha Longo, advogada e ex-diretora jurídica da CBF, como interventora, com prazo de 60 dias para regularizar os processos de governança e transparência.
A decisão judicial reacendeu a discussão sobre a venda da SAF. Marcos Lamachia, filho de José Roberto Lamachia, fundador da Crefisa, está em estágio avançado nas conversas para adquirir a parte vascaína. Em entrevistas concedidas esta semana, José Roberto Lamachia, avalista da operação, criticou a decisão judicial, mas reafirmou o interesse na compra, condicionando o negócio à permanência de Pedrinho no comando. “Já está firmado esse acordo, já está formado. Mas nós só vamos ficar, quando eu digo nós, é o meu filho, Marcos Faria Lamacchia. Nós só vamos ficar se o presidente for o Pedrinho”, declarou Lamachia ao GE, mencionando um aporte de R$ 2 bilhões.
No contexto da crise, Pedrinho havia exonerado diversos dirigentes, incluindo Silvio Roberto Vieira Almeida (Vice-Presidente de Finanças), Claudio Pereira Gomes (Diretor da Secretaria), Felipe Carregal Sztajnbok (Vice-Presidente Jurídico) e Raphael Travassos de Souza Avellar (Vice-Presidente de História e Responsabilidade Social). Essas exonerações foram interpretadas como uma acusação de articulação para barrar a venda da SAF e afastar o então presidente do cargo. Felipe Carregal, um dos exonerados, declarou ser favorável à venda, mas levantou divergências contratuais, como a ausência de uma cadeira para o Vasco no futuro conselho de administração da SAF e a falta de previsão de correção monetária no contrato. Durante o protesto, os torcedores gritaram “Não vai ter golpe” e ofenderam os dirigentes exonerados.
Apesar do cenário de instabilidade política e jurídica, o Vasco da Gama mantém seus compromissos esportivos. O clube segue em busca de um novo técnico após a demissão de Renato Gaúcho. O português Franclim Carvalho, atual treinador do Botafogo, surge como o favorito para assumir o cargo, e a interventora Samantha Longo já teria autorizado a operação para sua contratação. O elenco se reapresentou esta semana e tem seu próximo confronto marcado para 16 de julho, contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro.



