Raphael J. Soares, conhecido por sua atuação como cantor da dupla sertaneja Léo e Raphael e por ser o fundador do Grupo AgroPlay e da AgroPlay Music, empresa que gerencia a carreira da cantora Ana Castela, gerou uma intensa polêmica nas redes sociais na noite do último domingo, dia 7 de junho. O empresário se manifestou sobre o debate nacional referente ao fim da escala de trabalho 6×1, provocando uma série de reações por parte dos internautas.
A discussão em torno da escala de trabalho 6×1 ganhou relevância no cenário legislativo brasileiro. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e estabelecer o regime de 5×2, garantindo duas folgas semanais sem redução de salário, foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado Federal. É nesse contexto de mudança e discussão sobre os direitos trabalhistas que a declaração de Soares se insere.
Em sua manifestação, Raphael J. Soares compartilhou uma publicação na qual afirmava trabalhar ininterruptamente há uma década. Para contextualizar seu posicionamento, ele adicionou uma legenda declarando: “É por isso que trabalho 7×0! Quem faz o Brasil é nois (sic)!”. A fala foi interpretada como uma sugestão de que o progresso do país estaria atrelado a uma rotina de trabalho sem folgas, o que alimentou a controvérsia nas plataformas digitais.
A declaração do artista e empresário desencadeou uma onda de indignação imediata, com internautas preenchendo as seções de comentários com críticas severas. Muitos classificaram a fala como um “papo de rico”, descolado da realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros, argumentando que quem atua em funções exaustivas no campo ou em outras áreas necessita de descanso e tempo para lazer com a família, e não de “morrer trabalhando”. Outros usuários rebateram a comparação, indicando que ser contra a escala 6×1 não significa ser contra o desenvolvimento do Brasil, e questionaram a veracidade da suposta rotina integral de Soares.
Os usuários das redes sociais também enfatizaram a disparidade de privilégios entre um grande empresário do show business, como Raphael J. Soares, e o trabalhador comum. Destacaram que pessoas submetidas à escala 6×1 frequentemente não possuem o mesmo conforto financeiro ou a mesma rede de apoio. Internautas chegaram a aconselhar o gestor a focar em sua carreira musical e na administração de carreiras artísticas, em vez de minimizar o cansaço da classe trabalhadora, em um momento crucial para as discussões sobre o futuro das jornadas de trabalho no país.



