Padre fecha acordo após processo por intolerância religiosa contra família de Preta Gil

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O padre Danilo César, de 32 anos, estabeleceu um acordo judicial com a família da cantora Preta Gil. A decisão encerra um processo movido por conta de declarações do religioso consideradas ofensivas à memória da artista e, por extensão, às religiões de matriz africana. As falas que motivaram a ação ocorreram em 27 de julho do ano passado, poucos dias após o falecimento de Preta Gil. O processo cível por danos morais tramita na 41ª Vara da Comarca do Rio de Janeiro.

O episódio que deu origem à controvérsia se deu durante uma celebração religiosa na Paróquia de São José, localizada em Areial, no Agreste da Paraíba. Na ocasião, Danilo César utilizou o falecimento de Preta Gil, ocorrido em 20 de julho do ano passado em decorrência de um câncer, como exemplo em sua pregação. Em suas palavras, o padre questionou publicamente: “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”.

Conforme os termos do acordo formalizado, o padre Danilo César se comprometeu a realizar uma retratação pública. Este pedido de desculpas deverá ser feito nominalmente ao cantor Gilberto Gil e aos demais familiares da artista durante uma missa. A mensagem incluirá o reconhecimento do teor ofensivo de suas declarações e a admissão de que elas “causaram dor aos familiares”. A celebração onde ocorrerá a retratação será transmitida pelo canal oficial da Paróquia de São José no YouTube, utilizando o mesmo meio em que as ofensas foram originalmente propagadas.

Além da retratação, o acordo prevê a doação de oito cestas básicas a uma instituição que será indicada pela família Gil. Essa medida visa evitar o pagamento da indenização de R$ 370 mil por danos morais, valor que a família de Preta Gil solicitava inicialmente na ação judicial. A advogada Layanna Piau, representante dos familiares, havia confirmado que o pedido de indenização se baseava nas leis que tipificam intolerância e racismo religioso.

As declarações do padre resultaram em uma série de repercussões legais antes mesmo do acordo cível. Foram registrados três boletins de ocorrência contra o sacerdote, e o caso foi encaminhado à Polícia Civil, que prontamente instaurou uma investigação para apurar os fatos. O acordo, agora formalizado, representa um desdobramento do processo, buscando uma resolução para a questão da intolerância religiosa levantada pela família.

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