Blake Fielder-Civil, ex-marido da cantora Amy Winehouse, manifestou-se publicamente nesta segunda-feira (16) sobre as acusações que o apontam como responsável pela morte da artista. Durante sua participação no podcast “We Need To Talk”, ele detalhou aspectos da conturbada relação com a cantora antes de seu falecimento, em 2011, e negou ter sido o introdutor ou facilitador do vício em substâncias que assolou a vida de Amy.
O relacionamento entre Amy Winehouse e Blake Fielder-Civil teve início em 2005, culminando em casamento entre 2007 e 2009. A intensa dinâmica do casal foi, inclusive, fonte de inspiração para sucessos notáveis da discografia de Amy, como “You Know I’m No Good” e “Back to Black”. Dois anos após a separação, em 2011, a cantora foi encontrada sem vida em sua residência em Camden, Londres, aos 27 anos, com as investigações da época apontando intoxicação alcoólica como causa. Desde então, Blake tem sido frequentemente culpado pela introdução da artista às drogas.
Em sua fala no podcast, Blake Fielder-Civil defendeu-se das recorrentes acusações, declarando: “Eu sei que muitas pessoas, especialmente quem acompanhava a mídia há vinte anos, poderiam achar que a morte de Amy foi minha responsabilidade. Mas eu nunca fugi de nenhuma responsabilidade. Se eu tivesse feito algo, eu teria me entregado. Mas eu estou em paz com minha parte.” Ele enfatizou a autonomia da cantora em suas escolhas: “Há outro fator para além da parte de cada: Amy tinha autonomia. E dizer isso não é de forma alguma desrespeitá-la, mas Amy fez o que queria fazer e, mesmo sabendo que a bebida estava começando a prejudicá-la, ela continuou.”
Sobre o uso de drogas, o ex-assistente de vídeo afirmou que Amy Winehouse já consumia cocaína antes de ambos se conhecerem, citando “fotos da Amy no BRITs com ‘pó no nariz'” como evidência. Embora tenha admitido que a primeira vez que a cantora experimentou heroína foi na sua companhia, ele ressaltou que já era a sua sexta vez com a substância e que nunca a incentivou ao uso. “Não houve incentivo, nem negação. Foi uma sensação de… Sei que isso vai soar estranho para muita gente, mas foi como se eu perguntasse ao meu amigo: ‘Você quer uma cerveja no bar?'”, comparou. Fielder-Civil destacou que os dois tentaram alcançar a sobriedade juntos e que Amy jamais utilizou drogas injetáveis, ao contrário dele, que sim. Ele também relatou o período anterior à morte de Amy como “um dos mais miseráveis e intensos que um viciado em drogas poderia vivenciar.”
Blake Fielder-Civil também relembrou o momento em que recebeu a notícia da morte de Amy Winehouse. Na ocasião, ele estava detido na HMP Leeds, cumprindo pena por roubo doméstico e porte ilegal de arma de fogo. Ele contou ao apresentador Paul C Brunson que soube do falecimento por meio de um agente penitenciário. “Quando me disseram que [ela estava morta], meu primeiro pensamento foi: este é o meu pior pesadelo, não é verdade. Então, meu cérebro tentava assimilar a ideia de que seria um boato”, narrou. Após a confirmação por um link da BBC, Blake desabou em lágrimas em sua cela, amparado por seu colega de cela. “Esse foi o único consolo que encontrei naquele momento ao perder essa parte enorme da minha vida, uma parte importante do meu coração. Alguém que eu nunca mais veria, nunca mais ouviria falar, nada. Foi demais”, concluiu Fielder-Civil, que hoje tem uma vida amorosa estabelecida com Sarah Aspin e dois filhos, Jack e Lola-Rose, mas ainda acredita que ele e Amy estariam presentes na vida um do outro.



