Boy George, ícone da música britânica, revelou recentemente que tem empregado a inteligência artificial (IA) em seu processo criativo musical, afirmando que a tecnologia modificou sua abordagem à composição. A declaração foi feita durante sua participação no podcast “Happy Place”, apresentado por Fearne Cotton, onde o artista detalhou como a IA tem sido uma ferramenta valiosa, especialmente na escrita de letras.
Segundo o próprio músico, a inteligência artificial tem proporcionado uma nova perspectiva em seu método de trabalho. Ele destacou que a prática com a IA o “ajudou como letrista”, ressaltando a natureza independente do processo. “Você não está trabalhando com mais ninguém”, explicou Boy George, “Você não precisa se preocupar nem por dois segundos com o que eles pensam”. Essa autonomia, segundo ele, permite um foco maior em sua especialidade como compositor de melodias marcantes.
O cantor descreveu seu método de composição, explicando que recebe faixas de colaboradores e, então, as trabalha individualmente. “Eu sou um compositor de melodias marcantes, então escrevo melodias marcantes. Todas as pessoas com quem trabalho me enviam faixas, e eu simplesmente sento com elas, toco e toco”. Além disso, ele revelou ter “conversas fantásticas com o ChatGPT“, uma ferramenta de IA generativa. Embora admita que inicialmente algumas letras geradas possam ser “horríveis” e não refletir sua própria voz, Boy George enfatizou que é possível “treiná-la” para aprimorar os resultados.
A aplicação da inteligência artificial pelo artista não se limita apenas à criação de letras. No ano passado, Boy George já havia utilizado a tecnologia para regravar os vocais de alguns de seus maiores sucessos. Entre as faixas que receberam essa intervenção tecnológica está o clássico de 1983, “Karma Chameleon”, um dos hits mais icônicos do Culture Club, banda que o projetou mundialmente. Essa iniciativa demonstra a versatilidade e o alcance do uso da IA em diferentes aspectos da produção musical do cantor.
As declarações de Boy George surgem em um momento de intenso debate sobre o avanço da inteligência artificial em diversas áreas criativas, incluindo a música. A crescente dificuldade em identificar quando a tecnologia está presente nas obras é um ponto de discussão central. Uma reportagem da revista NME, por exemplo, mencionou que a Apple Music passou a notificar seus usuários quando uma faixa musical foi criada com o auxílio de IA. Essa medida veio após um estudo anterior indicar que uma esmagadora maioria, 97% das pessoas, “não conseguia dizer qual a diferença” entre músicas produzidas por humanos e aquelas geradas por tecnologia.



