Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos, perdeu a vida em 2 de fevereiro de 2021 quando foi atingida por um tiro de fuzil disparado durante uma ação da Polícia Militar na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói (RJ). O episódio ganhou nova dimensão em 2024 ao constar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) como integrante formal da equipe de defesa do policial acusado.
A menina brincava na porta de casa com o irmão de dois anos quando o disparo alcançou a região do tórax, provocando ferimentos graves. Socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, Ana Clara não resistiu e faleceu pouco depois.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o então militar Bruno Dias Delaroli por homicídio qualificado, sustentando que o agente disparou em direção a uma área residencial, assumindo o risco de matar. A denúncia apontou a conduta como intencionalmente perigosa, independentemente de alvo específico.
Em 2024, já com o processo tramitando nas instâncias superiores, Flávio Bolsonaro, registrado na Ordem dos Advogados do Brasil, passou a integrar a banca de defesa de Delaroli. Seu nome apareceu em recursos apresentados ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, cujo objetivo era afastar a determinação de julgamento pelo Tribunal do Júri.
A defesa alegou ausência de provas diretas de intenção e contestou a perícia técnica realizada no local do crime. Tanto o STJ quanto o STF rejeitaram os pedidos, mantendo a exigência de que o policial seja submetido a julgamento popular.
A revelação da participação do senador gerou forte repercussão política e intensificou as cobranças da família de Ana Clara. Em resposta, Flávio Bolsonaro defendeu seu papel, afirmando que o exercício da advocacia e a garantia do direito de defesa são assegurados pela Constituição.

