PF vê indícios de crimes em mensagens de Flávio Bolsonaro sobre verbas para filme e pede mais prazo ao STF

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A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a prorrogação por mais 90 dias do prazo para finalizar as investigações relativas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado a nove dias do segundo turno das eleições e baseia-se em mensagens, áudios e repasses financeiros atribuídos ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, os quais apontam possíveis indícios de práticas criminosas.

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De acordo com os investigadores, o material coletado indica uma suposta atuação direta do parlamentar na cobrança e no acompanhamento da liberação de aportes para a produção cinematográfica. Em documento enviado à Corte, a corporação ressaltou que as condutas apuradas podem caracterizar, em tese, os delitos de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, além de organização criminosa e infrações conexas. A PF destacou, contudo, que os trechos citados correspondem a hipóteses de trabalho e que ainda não há conclusões definitivas sobre eventuais responsabilidades.

O prazo regulamentar para a entrega do relatório conclusivo da apuração encerrou-se no último dia 10 de outubro. Dirigido originalmente ao relator do caso, ministro André Mendonça, o requerimento de extensão temporal tramita temporariamente no gabinete do presidente do tribunal, ministro Edson Fachin. A intenção das autoridades policiais é garantir o tempo necessário para a análise aprofundada do vasto acervo probatório reunido desde o início dos trabalhos.

As apurações indicam que Vorcaro teria firmado o compromisso de aportar aproximadamente R$ 134 milhões, equivalentes a US$ 24 milhões, para a realização da obra encenada pelo ator Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro. Até o momento, o rastreamento financeiro identificou o envio efetivo de cerca de R$ 62 milhões — quantia correspondente a US$ 12,3 milhões — realizado no período entre fevereiro e setembro de 2025. O ofício da PF traz transcrições de diálogos mantidos entre o banqueiro e o senador, além de documentos que comprovam as transações bancárias.

O percurso do dinheiro envolve a empresa Entre Investimentos e a estrutura do Havengate Development Fund LP, um fundo norte-americano com sede no estado do Texas. A gestão do fundo está a cargo de Altieris Santana e do advogado Paulo Calixto, figura próxima ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Segundo as informações levantadas no inquérito, a entidade fora criada originalmente para viabilizar um empreendimento imobiliário em solo texano que jamais chegou a ser construído.

Instaurado em julho deste ano a pedido da própria Polícia Federal, o inquérito contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República para a sua abertura. Procurada para se manifestar sobre os desdobramentos da apuração, a defesa de Flávio Bolsonaro declarou que ainda não teve acesso ao conteúdo da documentação anexada aos autos. A deliberação sobre a concessão de novo prazo manterá aberta a investigação que busca esclarecer a origem, o trajeto e a destinação final dos recursos aplicados no projeto audiovisual.

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