Na terça‑feira, 20 de outubro de 2026, uma denúncia revelou que a chamada “loira do Flávio”, presença constante nos vídeos de campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), não é pessoa real, mas sim uma personagem gerada por inteligência artificial (IA) com a finalidade de atrair seguidores e comercializar conteúdo adulto.
A revelação foi feita pelo influenciador digital Guga Figueiredo, conhecido como “Xerife da Internet”. Em um vídeo publicado, ele apontou indícios de manipulação de imagens e de reutilização de entrevistas, demonstrando que a suposta apoiadora – apelidada de “Loirona do Flávio” ou “Loira do Flávio” – aparece ao lado do candidato em trios elétricos, cantando jingles eleitorais e respondendo a perguntas sobre a família conservadora.
Segundo Figueiredo, o perfil já ultrapassa 500 mil seguidores e explora temáticas vinculadas ao bolsonarismo para ampliar seu alcance nas redes sociais. “Essa loirona bonita aqui está sempre, ó, do ladinho do Flávio Bolsonaro, em cima do trio, na rua, cantando jingle, respondendo pesquisas na rua”, afirmou o influenciador, que ainda destacou a recorrência de roupas idênticas e o fato de a personagem aparecer descalça em diferentes situações.
“E isso é porque ela não existe, e ela é uma criação de inteligência artificial para poder vender conteúdo adulto”, acrescentou Figueiredo, explicando que a estratégia consiste em captar usuários interessados em política e redirecioná‑los a plataformas de comercialização pornográfica.
Para comprovar a manipulação, o influenciador comparou dois vídeos de entrevistas políticas. Em um deles, a suposta apoiadora responde à pergunta “Por que se identifica com a direita?” com a frase: “Porque eu defendo as pautas que a direita defende, a vida desde a concepção, eu defendo a família”. Em seguida, exibiu gravação da reacionária paranaense Cristina Graeml, que reproduz exatamente as mesmas respostas. O uso de IA teria substituído a pessoa original, preservando o conteúdo das declarações.
Os usuários que assistem aos vídeos políticos são conduzidos aos stories do perfil, onde encontram links que os direcionam a grupos no Telegram para a compra de material pornográfico. Os valores cobrados variam entre R$ 30 e R$ 40. “Aí os caras se emocionam, vão lá nos stories dela, vê que ela tem um segredinho, clica e acaba pagando ali trinta, quarenta reais para poder receber conteúdo pornô feito por inteligência artificial”, relatou o denunciante.
A personagem também foi identificada nas redes como Julia Cortez. Uma reportagem publicada na mesma terça‑feira descreveu outro vídeo manipulado em que a “loira do Flávio” aparece dançando ao lado do candidato, substituindo digitalmente o deputado Nikolas Ferreira em uma gravação original.
Além disso, o perfil no Instagram divulgava acesso a um canal de conteúdo erótico. Um levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, contabilizou 920 publicações com uso confirmado de inteligência artificial durante a campanha do primeiro turno de 2026; 554 dessas foram deepfakes, técnica que simula imagens, vozes ou situações envolvendo pessoas reais.
Guga Figueiredo compartilhou ainda um tweet, em 19 de outubro de 2026, com um link que exibia a contagem de publicações identificadas: https://t.co/dTULA4GzsW.



