Justiça Eleitoral proibiu a exclusão de pessoas que exibiam adesivos de apoio ao presidente Lula em um show do cantor João Gomes, realizado em Petrolina, Pernambuco, durante o projeto “Abrace um Denguinho”. A decisão foi divulgada pelo jornalista Felipe Fernandes, do g1, e chegou ao público após a circulação de vídeos que mostravam seguranças impedindo a entrada de espectadores por causa dos adesivos.
Os registros nas redes sociais mostraram que, ao chegar à entrada do evento, alguns participantes foram barrados ao apresentarem os adesivos do PT. Em um dos trechos, um segurança alegou que a proibição teria sido determinada pela produção do show, gerando forte reação nas mídias digitais.
Em resposta à repercussão, a juíza Elisama de Sousa Alves, da 145ª Zona Eleitoral de Petrolina, determinou que os organizadores garantam a entrada e a permanência de todo o público, sem discriminação motivada por posicionamentos políticos individuais. A magistrada ressaltou, porém, que a medida não autoriza a realização de atos de campanha nem a distribuição de material eleitoral no recinto.
O evento “Abrace um Denguinho”, idealizado por João Gomes em parceria com a Prefeitura de Petrolina, contou com atrações musicais, atividades para crianças e arrecadações solidárias. A iniciativa, voltada ao público infantil e ao apoio social, acabou sendo alvo de críticas depois que gravações mostraram a restrição de acesso a quem ostentava adesivos do presidente.
A equipe do cantor, inicialmente, negou que pessoas tivessem sido impedidas de entrar por esse motivo. Posteriormente, afirmou que a situação decorreu de uma “atitude individual” de um segurança da empresa contratada para o evento. A Prefeitura de Petrolina também negou ter orientado qualquer restrição, declarando que o controle de acesso ficou sob responsabilidade da segurança privada contratada pela produção.
O caso surge em meio às críticas que João Gomes vem recebendo nas redes sociais por não declarar apoio a nenhum candidato no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A ausência de posicionamento público tem sido motivo de debate entre fãs e críticos.
Ary Mirelle, esposa do cantor, rompeu em defesa do marido nas redes sociais, revelando que ele enfrenta um quadro de depressão, faz uso de antidepressivos e recebe ameaças direcionadas aos dois filhos do casal. Em comentário, a influenciadora lembrou que o artista foi duramente criticado após se posicionar em 2022 e que continua recebendo mensagens ofensivas. Ela pediu compreensão, enfatizando que a decisão de permanecer neutro neste segundo turno não significa que ele seja contra o Brasil ou o Nordeste.
“Censurar adesivos de Lula em um evento infantil e solidário? Que absurdo!” escreveu a usuária Beta Bastos (roberta_bastoss) no Twitter em 13 de outubro de 2026, denunciando o constrangimento sofrido pelos participantes.
A determinação judicial reforça o princípio da liberdade de expressão em eventos públicos, impedindo que manifestações individuais sejam motivo de constrangimento, ao mesmo tempo em que delimita a proibição de propaganda eleitoral dentro do espaço.



