Em reunião com representantes do setor empresarial, realizada na última terça‑feira (13) em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, divulgou um conjunto de propostas para a área de segurança que pretende adotar caso vença as urnas. O destaque ficou para a promessa de ampliar a rede de presídios federais, medida que, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), já foi efetivada pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde 2003 até outubro de 2026, o Brasil criou 1.040 vagas de capacidade nominal em penitenciárias federais, distribuídas em cinco unidades com 208 vagas cada. Quatro dessas unidades – localizadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN) – foram inauguradas durante os dois mandatos de Lula (2003‑2010). A quinta, situada em Brasília (DF), entrou em operação no governo de Michel Temer (2016‑2018), embora sua construção tenha sido iniciada sob a gestão de Dilma Rousseff. No período em que Jair Bolsonaro ocupou a Presidência (2019‑2022), nenhuma nova unidade federal foi criada.
No mesmo encontro, Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de endurecer a legislação contra o furto de celulares, afirmando: “Quando eu for eleito, a gente vai mudar a lei no Congresso e estabelecer oito anos de cadeia para quem furtar telefones celulares”. A proposta foi recebida com aplausos pelos presentes, mas já havia sido implementada pelo governo Lula por meio da Lei nº 15.397/2026, que elevou a pena de 1‑4 anos para 4‑10 anos de reclusão, além de multa, para o crime de subtração de aparelho sem violência ou grave ameaça.
A mudança de postura também se estendeu à questão da escala 6×1 de trabalho semanal. O senador declarou que votará a favor da proposta no Congresso Nacional, justificando que “a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”. Essa posição contrasta com declarações anteriores, nas quais Flávio acusou Lula de oportunismo ao colocar o tema em evidência no segundo turno da eleição, e com a estratégia de seu partido, que buscava adiar a votação até após o pleito. A mudança foi anunciada após visita ao pai, Jair Bolsonaro, que se encontra em regime domiciliar, e acompanhada de ressalvas sobre os custos da medida, que, segundo o parlamentar, poderiam exigir novas contratações, pressionar empresas e estimular a informalidade, devendo ser compensados pelo governo federal.
A campanha de Flávio tem sido alvo de críticas e pressão por parte de Lula, que tem apontado o silêncio do senador em relação à votação da escala 6×1. Até a terça‑feira, o candidato evitava se posicionar, enquanto seu partido tentava postergar a decisão. Agora, ao alinhar-se à proposta governista, o candidato do PL sinaliza que, caso a medida contribua para a conquista de votos, ele está disposto a apoiar a iniciativa, ainda que mantenha dúvidas sobre seus impactos econômicos.



