A disputa sobre qual governo destinou mais recursos ao agronegócio brasileiro é frequentemente pautada pelos volumes anunciados a cada edição do Plano Safra, o principal instrumento de financiamento e política agrícola do país. Em termos de valores absolutos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresenta cifras significativamente maiores do que as registradas durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Os Números do Governo Bolsonaro (2019-2022)
Durante os quatro anos de mandato de Jair Bolsonaro, o volume de crédito disponibilizado aos produtores apresentou crescimento constante, embora em patamares nominais inferiores aos atuais.
- Montante Total: Estima-se que os Planos Safra do período somaram cerca de R$ 713,1 bilhões.
- Destaques Anuais: No ciclo 2021/2022, o governo disponibilizou R$ 251,2 bilhões, o que representou, na época, um aumento de 14% em relação à safra anterior.
- Desempenho do Setor: O período foi marcado por um salto expressivo no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, impulsionado pelo aumento mundial dos preços dos alimentos e pelo recorde nas exportações.
A Escalada no Governo Lula (2023-2026)
Com o retorno de Lula à presidência, os valores nominais do Plano Safra atingiram recordes históricos, impulsionados pela necessidade de financiar safras cada vez mais caras e volumosas, além da tentativa de aproximação política com o setor produtivo.
- Montante Total: A soma dos recursos disponibilizados nos quatro anos de governo deve se aproximar de R$ 2 trilhões.
- Evolução Anual:
- No Plano Safra 2023/2024, o valor foi de R$ 471,2 bilhões.
- Para o ciclo 2025/2026, foram anunciados R$ 516,2 bilhões focados em médios e grandes produtores.
- No mais recente Plano Safra 2026/2027 (Agricultura Empresarial), o montante saltou para R$ 525 bilhões.
Além dos Números Brutos
Embora a gestão atual (Lula) vença com folga na comparação de valores absolutos anunciados, especialistas apontam que o cenário é complexo. As necessidades de financiamento do agronegócio ultrapassam R$ 1 trilhão anualmente. Portanto, a diferença de R$ 500 bilhões entre a necessidade real e os recursos do Tesouro obriga os produtores a buscarem fontes alternativas no mercado de capitais (como Letras de Crédito do Agronegócio e fundos), independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.
O aumento dos valores nos últimos anos reflete também o encarecimento dos custos de produção, a desvalorização do real frente ao dólar e a inflação acumulada, o que exige volumes maiores de crédito para financiar a mesma área plantada.

