Mesmo com a desaceleração geral nos gastos dos consumidores e as transformações no cenário econômico mundial, 64% dos viajantes brasileiros pretendem viajar na mesma medida ou até mais em 2027, segundo o relatório anual Travel Trends, elaborado pelo Skyscanner. O estudo, que analisa as principais tendências de viagem para o próximo ano, revela que a demanda permanece robusta apesar das incertezas.
“As viagens estão entrando em uma nova era. À medida que as pessoas se tornam mais conscientes sobre como gastam seu tempo e dinheiro, elas fazem escolhas diferentes em relação a destinos, formas de reserva e o que gera valor duradouro”, afirmou Bryan Batista, CEO do Skyscanner. O executivo ainda destacou que os turistas dão prioridade a experiências significativas em detrimento de bens materiais, buscam segurança em cada decisão de reserva e, em alguns casos, recorrem à inteligência artificial durante o planejamento.
Bruna Reis, especialista em voos e viagens do Skyscanner, explicou que os brasileiros estão ampliando seus horizontes para além das tradicionais capitais europeias e norte‑americanas, voltando o olhar para a América Latina, região da qual fazem parte. Essa mudança reflete o desejo de descobrir destinos menos convencionais e culturalmente distintos.
A lista dos dez destinos mais procurados pelos brasileiros para 2027 inclui: Praia, Cabo Verde (+207,91%), famosa pelo kitesurfe, desova de tartarugas marinhas e atmosfera relaxante; Arequipa, Peru (+183,91%), que combina patrimônio colonial e pré‑colombiano com fácil acesso aos Andes; Luanda, Angola (+178,32%), ainda pouco conhecida, mas cada vez mais relevante para quem busca experiências inéditas; Alicante, Espanha (+175,11%), alternativa atrativa que foge das rotas tradicionais de Madri e Barcelona; Pequim, China (+132,76%), com sua história e identidade cultural singular; El Calafate, Argentina (+109,35%), destino de natureza e aventura que vai além do roteiro típico de Buenos Aires; Uyuni, Bolívia (+106,73%), impulsionado pela fama do Salar de Uyuni; Altamira, Brasil (+94,92%), que atrai por suas paisagens amazônicas e praias de água doce nas margens do Rio Xingu; Hanói, Vietnã (+94,75%), beneficiado por taxas de câmbio favoráveis; e Bonito, Brasil (+63,46%), conhecido pelos rios cristalinos, cavernas milenares e paisagens extraordinárias.
Quanto ao custo‑benefício das passagens, o Skyscanner apontou as rotas que registraram as maiores quedas de preço para 2027. Entre elas, Praia, Cabo Verde registrou a maior redução (‑76%); Cidade do México (‑26%); Xangai (‑25%); Tampa, nos Estados Unidos (‑13%); Campina Grande, Brasil (‑9%); Sydney (‑8%); Nova York (‑7%); Estocolmo (‑5%); Nice (‑5%); e a ilha de San Andrés, Colômbia (‑3%).
O estudo também identificou sete tendências que devem moldar o comportamento dos viajantes brasileiros em 2027. Primeiro, a busca por “viajar mais por menos”: 57% dos brasileiros já mudaram de destino para aproveitar taxas de câmbio favoráveis, com 64% da Geração Z e 59% dos Millennials adotando essa estratégia. Segundo, o “detox digital”: 31% da Geração Z pretende desconectar-se das telas durante a viagem, trocando a rolagem infinita por momentos presenciais mais profundos.
A terceira tendência, “grandes odisséias”, mostra que 43% dos entrevistados foram inspirados por lançamentos audiovisuais como “Gladiador” e “A Odisseia” a planejar viagens a locais históricos ou lendários. A quarta, “gym‑cation”, evidencia que 81% dos Millennials têm maior probabilidade de reservar hotéis que ofereçam café da manhã nutritivo, enquanto 33% da Geração Z prioriza estabelecimentos com academia.
Em quinto lugar, a música como motor de escolha: 18% dos viajantes afirmam que o local onde o evento musical acontece tem a mesma importância que a própria apresentação. A sexta tendência, “merch com passaporte”, revela que 65% dos brasileiros viajam para adquirir produtos regionais exclusivos, impulsionados por mais de 435 mil vídeos no TikTok que combinam hashtags como #TraderJoesTote, #RitzParis e #Merch.
Por fim, o conceito de “lovecation” indica que 47% dos viajantes preferem celebrações conjuntas em vez de despedidas de solteiro ou solteira separadas, motivados por diversão (49%), economia (32%) e praticidade (33%). Esses dados apontam para um cenário de viagens cada vez mais orientado por experiências personalizadas, valor percebido e conectividade cultural.



